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Memórias de Mim #001



Eu devia ter uns 14 ou 15 anos e era daquelas garotas deprimidas, naquela época eu fazia terapia 2 vezes por semana - meu pai e minha madrasta achavam que tinha algo errado comigo, ok então...


Sobre a cabeceira da minha cama, tinha uma prateleira que meu pai tinha feito pra mim e que eu tinha tratado de encher de livros - eu lembro que naquela época eu não queria juntar meus livros com os livros da minha madrasta, sabe-se lá se ela não ia me acusar de pegar os livros dela se estivessem todos misturados.


Num desses dias normais, eu não conseguia parar de chorar, mas eu chorava muito mesmo, encolhida na cama na esperança de diminuir a ponto de quem sabe sumir.

Meu pai apareceu querendo saber o motivo de tanto choro. Nem eu sabia, como é que poderia explicar? Eu não dizia nada, só me encolhia mais e continuava chorando copiosamente.

Num dos ataques de agressividade bem comuns que ele tinha no qual ele quebrava tudo o que encontrava pela frente - a próposito,  muito comuns desde que me conheço por gente - a estante veio abaixo trazendo junto todos os livros que estavam acomodados nela e junto com os livros uma série de insultos que faço questão de esquecer.

Naquele dia, o peso da estante sobre minha cabeça foi o que menos machucou.


6 Jogaram tudo pro alto:

neutron disse...

*abraça*

=o)

Ana Jähne disse...

... e a gente nunca esquece.

*abraço grupal*

aline marangoni disse...

sei como é.

Inaudita disse...

As coisas que mais machucam são as invisíveis aos olhos dos outros.

Felipe Attie disse...

É sempre assim. As piores dores não são físicas. Belo texto. Espero que não seja verídico. Mas se for, vale a experiência. Até...

Felipe Attie disse...

Ah! E pra você, que parece gostar do que eu escrevo, tem texto novo lá no blog. Vou tentar ser menos relapso esse ano e escrever com mais frequência. Abraço e até...

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